sexta-feira, 10 de setembro de 2010

REFORMA AGRÁRIA

Feira da Reforma Agrária acontece em Maceió
Entre os dias 8 e 12 de setembro, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) realiza a 11ª Feira da Reforma Agrária, na Praça da Faculdade, bairro do Prado, em Maceió. O evento começa com uma perspectiva de superação de vendas de produtos de assentamentos e acampamentos de reforma agrária comercializados em 2009. Mais de duzentas barracas padronizadas estão no local de maior contato cultural entre os mundos urbano e rural em Alagoas.

Assentados de todo o Estado trazem as culturas que já comercializam localmente para as vendas na capital. Baseados em um levantamento prévio de preços, os produtores-vendedores anunciam valores mais baixos que a média da cidade, eliminando a figura do atravessador, principal responsável pelos altos preços dos alimentos nos mercados públicos. A dependência desta personagem no dia-a-dia das feiras lesa diretamente o trabalhador rural e prejudica a chegada dos alimentos à mesa das famílias na cidade.

No bojo dos debates sobre a eficácia da Reforma Agrária Popular, proposta do MST para o modelo de agricultura brasileiro, a feira vem dando exemplos de peso ao longo dos anos, demonstrando a produtividade dos assentamentos e acampamentos e trazendo sempre alimentos mais saudáveis para a mesa do trabalhador. O modelo inspirado na agroecologia, que se utiliza de práticas como os bancos de sementes, adubagem orgânica, formação política das famílias etc., é uma oposição ao modelo agrícola hegemônico baseado no agronegócio, grandes latifúndios de monoculturas para exportação e capitalização das chamadas commodities, como a cana-de-açúcar.

Do lado da agricultura camponesa, pesa os dados divulgados em 2009 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no último Censo Agropecuário (2006), já que 75% dos alimentos que chegam a mesa do brasileiro são oriundos dessa produção familiar. Para se ter uma idéia, 87% da produção de macaxeira vem da agricultura camponesa, assim como os 70% do feijão, 46% do milho e 58% do leite que alimentam o campo e a cidade. O assentamento, além de contribuir para a alimentação de toda a população e envolver o produtor economicamente em sua região, representa avanços em todos os campos sociais: escolas para educação no campo, acesso a políticas de saúde, habitação, cultura, entre outras.

Durante a 11ª Feira da Reforma Agrária, os camponeses e os consumidores celebram, ainda, um verdadeiro festival de cultura popular. Todas as noites um festival de forró toma conta do palco da Feira, com trios tradicionais como o Gogó da Ema e Nó Cego. Também celebrando a unidade cultural e política do campo e da cidade, grupos artísticos de reconhecida trajetória, como Los Borrachos Enamorados, Jurandir Bozo e outros animam a Praça da Faculdade de quarta a sábado. A Feira da Reforma Agrária já faz parte do calendário comercial e cultural da cidade de Maceió e recebe um grande contingente de todas as faixas sociais.

FONTE: M S T

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